Terça-feira, Janeiro 24
da subjectividade das opiniões
As últimas declarações de Cavaco Silva, sobre a minguez das suas reformas face às suas contribuições, tornaram-se rapidamente mais um foco de polémica e celeuma e apenas demonstram mais uma vez a falta de relevo que a maioria da sociedade e em especial os actuais políticos, dão à questão da subjetividade.
A subjetividade numa concepção mais simples, refere-se à forma como a opinião de cada ser humano é esmagadoramente influenciada pela sua visão pessoal do mundo, formada pelas suas experiências de vida e pelas realidades que absorveu empiricamente. Nesse sentido Cavaco apenas caiu na armadilha da sua própria subjetividade.
Obviamente que à luz da sua história de vida e estatuto/posição social, os valores económicos são manifestamente parcos e parecerão pouco justos. O problema é que quando emitimos opiniões enquanto representantes políticos de toda uma sociedade, com diferentes condições de vida e sensibilidades, devemos evitar as subjetividades da opinião pessoal e deixar uma perspetiva mais analítica e racional, guiar o nosso discurso.
O problema não é, infelizmente, exclusivo do actual Presidente da República e muitos dos membros do actual governo também demonstram no seu discurso, uma vivência alheada da realidade democrática.
E chamo-lhe realidade democrática, porque é mais provável estarmos face uma noção menos subjectiva do real quando temos em conta as experiências de vida de milhões de pessoas comuns, do que uma noção de realidade baseada na mundividência privilegiada de uma elite político/económica.
E é esse um dos maiores problemas da maioria da direita, uma visão egocêntrica e empírica da realidade que não tem em conta a macro-realidade do mundo como ele é...
Sexta-feira, Dezembro 23
Terça-feira, Dezembro 6
o facto consumado
Nos últimos dias/semanas/anos temos sido confrontados com uma cada vez mais presente ideia de propaganda económica, o fim do Estado Social.
Ainda ontem numa breve passagem pela televisão nacional testemunhei o profissional incontestado do "achismo", Miguel Sousa Tavares, a fazer uma bela analogia em que as lágrimas de uma ministra italiana simbolizavam a morte do Estado Social e algum tempo mais tarde tive o infortúnio de ouvir o Deus nacional das "evidências inalteráveis e supremas", Medina Carreira, a explicar aos coitadinhos dos portugueses que as reformas iam acabar e que quem dissesse o contrário era aldrabão e mentiroso.
Do alto da minha pequenez, gostava de deixar uma lembrança a estes e outros senhores que começam já a festejar um antecipado bacanal liberal, que nunca os romanos imaginaram o colapso do seu império, que a um certo monarca francês nunca lhe passou pela cabeça acabar a vida sem a mesma e que até cá pelas nossas terras, não se esperava que um grupo de militares acabasse num dia, com décadas de fascismo.
Não estou a falar de revoluções iminentes, mas sim, de algo que a história ensina aqueles que se dignam a estudá-la. Nas sociedades humanas não existem caminhos inevitáveis, factos consumados ou becos-sem-saída.
O Estado Social tem a sua hora da morte agendada pelos seus detractores desde a sua criação, mas tal não aconteceu ainda porque quem decide a sua manutenção ou destruição é a sociedade através da expressão democrática da vontade soberana dos seus membros. Duvido que a vontade dos cidadãos europeus seja aniquilar uma das suas maiores conquistas civilizacionais, em troca de uma "selva dos mercados" que representa um regresso às condições sociais do tempo da Revolução Industrial.
Há sempre alternativa e quem diz o contrário, esse sim, é mentiroso.
Do alto da minha pequenez, gostava de deixar uma lembrança a estes e outros senhores que começam já a festejar um antecipado bacanal liberal, que nunca os romanos imaginaram o colapso do seu império, que a um certo monarca francês nunca lhe passou pela cabeça acabar a vida sem a mesma e que até cá pelas nossas terras, não se esperava que um grupo de militares acabasse num dia, com décadas de fascismo.
Não estou a falar de revoluções iminentes, mas sim, de algo que a história ensina aqueles que se dignam a estudá-la. Nas sociedades humanas não existem caminhos inevitáveis, factos consumados ou becos-sem-saída.
O Estado Social tem a sua hora da morte agendada pelos seus detractores desde a sua criação, mas tal não aconteceu ainda porque quem decide a sua manutenção ou destruição é a sociedade através da expressão democrática da vontade soberana dos seus membros. Duvido que a vontade dos cidadãos europeus seja aniquilar uma das suas maiores conquistas civilizacionais, em troca de uma "selva dos mercados" que representa um regresso às condições sociais do tempo da Revolução Industrial.
Há sempre alternativa e quem diz o contrário, esse sim, é mentiroso.
Quarta-feira, Novembro 16
Terça-feira, Novembro 15
resgate da consciência

Acabadinho de sair pela Dinalivro, O Resgate da Consciência com capa da minha autoria baseada em duas pinturas de Bouguereau, unidas pelo fundo de nuvens pintadas digitalmente, tentando manter a mesma plasticidade de forma a criar uma união entre a faceta sombria e a faceta positiva, ambas exploradas no conteúdo do livro.

Quarta-feira, Novembro 2
o regresso das plataformas
Desde o ínicio dos video-jogos que as plataformas de scroll horizontal são uma das tipologias mais famosas do mundo dos jogos e com alguns dos melhores títulos, tanto que os jogos mascote das consolas dos anos 80/90 eram na SEGA o Sonic The Edgehog e na Nintendo o Super Mario.
Mesmo no mundo dos AMIGA, lembro-me de jogos que ainda hoje não saem da cabeça como o Prince of Persia, Another World e Flashback, os três um exemplo perfeito do melhor do género.
Em tempos de 3D gráfico e 3D estereoscópico poderia parecer que o género ficou no passado, mas com o surgimento das lojas online como a da Playstation Network, os game-developers viram no género uma oportunidade de criar novos jogos, demasiado curtos e simples para o gasto de um Blu-Ray mas que são pérolas de jogabilidade.
Falo muito concretamente de dois jogos que experimentei, adorei e comprei... o primeiro de nome LIMBO, com um visual muito noir, em que a personagem principal é um rapaz em silhueta, vendo-se apenas o abrir e fechar dos olhos. A premissa é simples, acordamos numa floresta e temo de ir percorrendo um mundo escuro e de tons cinza, resolvendo puzzles e lutando contra vários inimigos e outros perigos, isto sem qualquer explicação de quem somos, onde estamos e o que estamos a tentar fazer, o que adiciona uma camada psicológica ao já sombrio grafismo.
Já mais ultimamente tenho gasto algumas horas com Outland, que usa efeitos de brilho com algum uso de silhuetas (a personagem principal é uma silhueta com traços de brilho na roupa).
A história é um pouco diferente fazendo lembrar Another World, somos um guerreiro jovem que tem de seguir as pisadas de um herói do passado para salvar o mundo da destruição. Tem bastantes elementos interessantes como a possibilidade de mudar de tipo de energia (bem=azul VS mal=vermelho) conforme os inimigos e armadilhas, que confere uma dinâmica muito original ao jogo.
São ambos um bom exemplo não de revivalismo ou recuperação dos jogos antigos, mas sim de como se podem reinventar novos jogos usando fórmulas antigas, conseguindo ser original ao mesmo tempo.
Quarta-feira, Outubro 19
a china como exemplo?
Pouca coisa me enoja e já vi muito, mas as imagens desta situação na China são de fazer sentir o coração no estômago.
Uma rapariga pequena é atropelada (é impossível à velocidade que ia não ter visto), a carrinha passa-lhe por cima com a roda, o condutor apercebe-se e para a carrinha para de seguida fingir que nada aconteceu e mais uma vez passar por cima da criança. Entretanto passam várias pessoas que fingem que não vêm o corpo da criança, mas o choque maior é quando percebemos que a criança está viva e a chorar (apesar de ter o corpo todo rebentado), segundos antes de outra carrinha passar novamente por cima e ainda mais pessoas fingirem que nada estão a ver!
Não há palavras para qualificar o completo esvaziamento ético da sociedade chinesa (nem moral mesmo que religiosa), que este vídeo faz questão de brutalmente nos lembrar. Uma sociedade em que o dinheiro é a medida de todas as coisas e onde não há nenhum respeito ou apreço pela vida humana.
Se a China já foi uma sociedade comunista, hoje não o é o extremo oposto, um aviso do que acontece quando deixamos o capitalismo à solta, numa sociedade com um governo totalitário e sem acesso à educação, informação e cultura.
Mais no site da BBC
http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-pacific-15331773
Terça-feira, Outubro 11
You have enemies?
Mensagem, tipografia e imagem composta por apóstrofes...
A frase fala por si.
Está à venda a partir de cerca de 10€ no Society6
http://society6.com/menosketiago/You-Have-Enemies_Print
Segunda-feira, Outubro 10
Caçadores de Trolls
Na Sexta-Feira passada decidi não deixar escapar a oportunidade de ver o Troll Hunter, que já tinha perdido no Motelx (estava a terminar obras em casa) e está agora no Cinema City do Campo Pequeno.
Este filme é uma daquelas pérolas escondidas, um espécie de Projecto Blair Witch norueguês, mas em vez de bruxas temos trolls. Os menos conhecedores do folcrore fantástico europeu estão a imaginar aqueles bonequinhos de plástico com sorrisos e cabelo espetado mas o troll das histórias infantis do norte da europa é uma criatura mais tenebrosa, sempre de feições quase humanas mas com narizes enormes, pêlo e outras caracterizações mais grotescas.
Mas voltando ao filme posso dizer que superou as minhas expectativas e entra na minha lista de grandes filmes para rever. Uma boa história, personagens credíveis e completas e excelentes efeitos-especiais (ao nível do melhor de Hollywood) que mostram que os países nórdicos estão à frente da Europa, em muitas áreas.
Sexta-feira, Setembro 30
Amazon ataca nos tablets
Na Quarta-Feira passada a Amazon anunciou 3 novos Kindle, ou melhor 2 novos Kindle e um tablet ao qual deu o nome de Kindle Fire.
Digo isto desta forma porque o Kindle Fire é basicamente um tablet igual aos outros, que usa uma versão personalizada de Android, e não um e-reader baseado na tecnologia e-ink, ou seja, deixa de ser um substituto do livro em papel (sem lugar ao cansaço dos olhos e ao incómodo dos reflexos de ecrã).
Nesse sentido não há nenhuma inovação no anúncio da Amazon e provavelmente não seria alvo de notícia, não fosse a única característica revolucionária do Kindle Fire, um preço de arranque de 199$ (cerca de 150€) e a previsão de um futuro preço ainda menor.
E é através de um preço bem mais acessível para a esmagadora dos consumidores médios (e não de consumidores de elite para quem o preço não é um factor proibitivo), que temos provavelmente o mais perigoso concorrente à gigantesca quota da Apple no mercado dos tablets.
Este preço é conseguido não só pela ausência de uma câmara fotográfica e de um microfone (o que inviabiliza a videoconferência, mas quantas vezes o consumidor médio usa a mesma num tablet?) mas também pela mesma estratégia que a Apple usou na segunda fase do iPod, ou seja, aquilo que irá ser o foco do negócio serão os conteúdos e é através do lucro nos conteúdo que a Amazon consegue baixar o preço do Kindle Fire e é por isso que se a estratégia correr bem podemos espera um preço ainda menor, o que o torna um perigoso concorrente à hegemonia do iPad.
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