A minha relação auditiva com os Amber Pacific, uma banda americana não muito conhecida pelas nossas terras, remonta a um sampler da Fatwreck Chords que me ofereceram à porta do concerto de NOFX no Restelo há uns anos. Não foi a única banda de punk-rock que guardei desse sampler mas tornou-se sem dúvidas uma das minhas favoritas, sendo que o leitor de MP3 não passa sem um album deles lá dentro.
Assim não é de admirar que tenha ficado com água na boca assim que soube que o 3º album da banda estava para sair e só não fiz uma pre-order com t-shirt incluida porque os portes eram 100% do valor da encomenda (mal Victory Records, muito mal). A história resumida é que finalmente tenho este Virtues comigo e já o ouvi umas boas dezenas de vezes, o que deixa perceber que gostei do que ouvi.
Em relação aos anteriores, The Possibility and the Promisse e Truth in Sincerity, é uma pitadinha mais pop-rock, por vezes a fazer lembrar a onda Bon Jovi do final dos 80's, algo para que decerto contribui a nova voz da banda, Jesse Cottam, que chegou a ser concorrente do Canadian Idol e tem um tom mais grave que o Matt Young. Mas quando falo em pitadinha falo mesmo num ligeiro tempero em algns arranjos vocais, porque a bateria e os riffs continuam a ser bem metralhados, como manda a escola do pós-punk.
Depois de um album mais conceptual dedicado às alterações climáticas, One Day Son This Will All Be Yours, os britânicos Fightstar estão de volta com Be Human.
Tal como o nome sugere as temáticas do álbum rodam todas sobre a psicologia humana e um colorido emocional, que vai desde um sentimento britânico em The English Way, ao pacifismo em e uma letra tipicamente emo em War MachineMercury Summer.
A sonoridade é menos orquestrada mas continua na senda da mistura entre vários estilos de Rock, Emocore e um trago de Indie, especialmente em algumas misturas de sintetizador.
Continuam os instrumentais impecáveis e as grandes vocalizações do Charlie Simpson (apesar de o rapaz ainda não ter recuperado totalmente do visual pop-punk da era Busted é um grande vocalista) e não faltam os toques no "cowbell" e semi-apoteóticos coros femininos.
Devo dizer que depois do Tales Don't Tell Themselves, um álbum conceptual no qual todo o imaginário musical foi pensado para nos transportar para um imaginário marítimo, concretamente no jogo de sentimentos de uma vila piscatória moderna e que resultou num excelente conjunto de músicas, a minha fasquia para os Funeral for a Friend estava bastante alta.
Este Memory and Humanity que já não é novo, conseguiu passar-me despercebido durante algum tempo e foi uma agradável surpresa, quando descobri que tinha mais música nova para acrescentar à minha colecção. Em termos de estilo é um regresso ao Hours, com músicas mais pesadas e riffs cheios de personalidade, que marcam bem a diferença entre as músicas, ao mesmo tempo que à medida que vamos chegando ao final do álbum o tom muda para um estilo mais baladeiro e sentimental. Talvez seja esse o ponto baixo, tendo em conta que pessoalmente gosto mais de emparelhamento.
Os pontos altos são então logo no inicio com Rules and Games, Kicking and Screaming, onde conseguem pegar no cliché sobre nascimento e morte e criar uma música forte e sem o elemento foleiro que uma banda mais popularucha lhe daria ("we all go out like we come in, kicking and screaming"), Maybe I am? e You Can't See the Forest for the Wolves (mais uma que brinca com clichés).
Aconselho, principalmente a quem não conhece estes meninos do País de Gales.
Relativamente desconhecidos pelos nossos lados, os Disco Ensemble são uma banda finlandesa bastante difícil de catalogar, embora arrisque a descrever como electro-punk-rock, embora para os mais incautos se possa assemelhar a algumas vertentes de indie rock, encabeçadas por bandas como os Vampire Weekend (as semelhanças são patentes mas ficam-se pelo ritmo sincopado).
Seja como for fiquei a conhecer a banda quando esta acompanhou os Hell is For Heroes na tourneé europeia, que passou pelo Jardim do Tabaco em Lisboa. Na prática fui ao concerto pelos Easyway e pelos Twenty Inch Burial, visto que apesar de achar piada a uma ou duas músicas de Hell raramente ou nunca os oiço. Lembro-me perfeitamente de ter ficado de pé atrás a ver uns finlandeses com aspecto muito indie a arrumarem o palco e principalmente receoso pelo vocalista montar um mini-sintetizador, mas não houve praticamente período de habituação porque assim que a música começou a tocar, foi aprovação máxima.
Dito isto, depois de 3 anos a ouvir Viper Ethics e First-Aid Kit, lembrei-me de procurar novidades e descubro com agrado este Magic Recoveries. A expectativa era grande e após a primeira audição senti algum defraudar, quer dizer, duas ou três óptimas malhas surgiram logo mas a coisa parecia morna. No entanto, este é um daqueles CD's que têm de ser ouvidos vezes sem conta e depois de pressentir isso e me forçar inicialmente a fazê-lo, comecei a saborear a polpa de todas as músicas.
Desde logo, destaco a faixa We Can Stop Whenever We Want, que acaba por sintetizar o espírito da banda (How can you tell us that we're paranoid, cuz just the fact that we're paranoid makes us not believe a single word you say...), Bad Luck Charm que é sem dúvida uma boa escolha para o single de apresentação do CD log seguida de Worst Night Out (o nome é mesmo o tema da música...), ou a Headphones, que traduz o sentimento de escapismo de qualquer melómano (...and when I'm tired of walking alone, I put my headphones on... and when it's time to get out of it all, I don't wanna hear the static on the radio) e quase a acabar temos ainda um Poltergeist.
Tal como disse é complicado descrever o som dos Disco Ensemble, com um sintetizador que evoca o electro mais rock (na onda dos portugueses X-Wife e M.A.U) mas pontuado por uma guitarra com riffs típicos do punk clássico misturados com muito efeito de pedaleira, uma bateria com requintes de esquizofrenia e um baixo que remata com um ritmo incessante.
Infelizmente na senda do constante tiro no pé que tem sido a história da indústria musical nos últimos anos, a Universal alemã decidiu restringir o acesso aos vídeos de YouTube a países onde o álbum está à venda...
Foi com alguma expectativa que esperei o novo álbum do Fall Out Boy, depois de com o primeiro single perceber que iam abandonar as invenções de um produtor de hip hop a gravar uma banda emo. Este Folie à Deux não é um regresso da banda ao emo punk mais rasgadinho mas sim uma mistura entre a sincopagem que sempre os marcou e rifs de guitarra mais típicos do rock à la AC DC e C&A.
As letras não deixam qualquer margem para dúvidas para quem ainda ache que os FOB são uma banda"pop", são letras emo e acontece o estilo estar relativamente na moda nesta altura, de resto quando a moda passar o estilo continua para quem realmente gosta. Desde "I don't care what you think as long as it's about me" na faixa I Don't Care, a "You can only blame your problems on the world for so long, before all becomes the same old song" em The (Shipped) Gold Standard ou "If home is where you heart is then we're all just fucked... and I want it so bad I shoot the sunshine into my veins" em 27, as letras são mesmo o melhor desta folia, onde fazem falta aquele ritmo mais punk como em Tell that Mick He Just Made My Things to Do List Today do Take This to Your Grave ou Sugar We're Going Down do From Under the Corck Tree.
Mas saudosismos aparte é um regresso deles aos álbuns que dá vontade de ouvir vezes sem conta...
Uma ilustraçãozita que estava em progresso há uns bons 3 ou 4 meses, apeteceu-me de repente acabá-la e ainda assim trabalhei nela toda a semana...
Testei algumas técnicas que não usava que aprendi através da observação do trabalho do Draco mas de resto é apenas uma melhoria do meu estilo habitual. Ah, os mais atentos podem olhar para a imagem de baixo e ver um toquezinho de Arthur de Pins, mas deixo-vos serem vocês a descobrir (não é nada difícil).
O esboço de uma "nova" ilustração. Entre ásperas porque é uma reformulação de um conceito já com uns 3 anos ou mais.
Irá ser vectorizada e ter um jogo de cores baseado nos vermelhos, na mesma onda que a ilustra Há muito peixe no mar?... e provavelmente vai directamente para o camiseteria!
Coloquei a minha ilustração de Tributo à música de abanar o capacete no Design by Humans. Neste concurso os votos são mesmo só o voto em si, ou seja, gostam votam não gostam não dão o voto.