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BRK
BRK é uma banda desenhada de Filipe Pina e Filipe Andrade, que vinha a ser publicada há uns tempos no BD Jornal (também saiu uma prancha no jornal Mundo Universitário o ano passado) e conta agora com uma edição de 67 páginas da ASA.
Ao contrário da maioria da BD editada em Portugal, que tem a génese no estilo francês ou num estilo alternativo/estrambólico, esta história segue uma abordagem ao estilo dos comics americanos.
Aliás, nota-se no desenho muita influência de um dos autores americanos que mais aprecio, o Humberto Ramos (Crimson, Out There e Revelations) o que não significa neste caso falta de originalidade, tendo em conta que conheço a obra dele o suficiente para estar certo que não houve nenhuma adaptação do desenho dele.
De resto a nível de arte existe uma grande variedade de cenas dinâmicas nas pranchas, com óptimas e fidedignas aparições de locais como a Av. dos Aliados no Porto, a Praça Luís de Camões e Alfama em Lisboa e o Cristo Rei, um liceu e várias ruas de Almada.
É esta a maior originalidade desta história, ser passada num Portugal dos nossos dias com a narração da história de David, um rapaz com tendências hedonistas de 17 anos, que se junta a uma organização denominada "Estalo" que quer mudar a sociedade de formas inconvencionais. Ao longo da história essa inconvencionalidade levanta dúvidas de inspiração terrorista, até que há um twist genial, que vou manter em segredo, senão estragava a história.
De uma forma sucinta, se gostam de comics e querem que se façam mais coisas deste nível por cá podem e devem comprar esta edição. Sobre o preço penso que ronda os 15€ (infelizmente não estive em casa para avisar porque na BD Amadora estava a 12€), o normal para TPB's no nosso mercado.
Espero que venha ai mais um volume porque quero mesmo saber como é que a história vai continuar :D
Artigo dedicado ao livro no Fórum Central Comics criado pelos autores
http://www.centralcomics.com/forum/index.php?topic=80.0
Site Oficial
http://www.break-comic.com
Under Siege
Voltando a coisas mais alegres, a Seed Studios sediada no Porto vai lançar até ao final do ano o primeiro jogo 100% português para a Playstation 3.
Under Siege é um jogo de estratégia em tempo-real, passado num mundo de fantasia medieval e pelo vídeo bastante bem produzido graficamente (sendo provável que ainda melhore mais na versão final). Fica para saber qual será a jogabilidade e o enredo, claro.
O jogo irá sair apenas na loja online da Playstation de forma a apresentar um preço bem menor, que aquele que seria praticado por um jogo em caixa. Se já tiver PS3 nessa altura do campeonato podem contar com um comprador, nem que seja só para os apoiar!
Mais info
http://www.undersiegegame.com
o mistério do mistério da estrada de sintra
Sendo um fã de linha dura de Eça de Queirós (de tal modo que tenho pela primeira vez desejo de ver um filme do Manuel de Oliveira, graças ao facto de este ser uma adaptação do Singularidades de Uma Rapariga Loira) desde que ouvi falar no filme O Mistério da Estrada de Sintra, que fiquei logo em pulgas para o ver. Sendo um filme português e não tendo tantas hipóteses de ir ao cinema como gostaria acabei por falhar a experiência de sala mas com o dinheiro no natal no bolso e o DVD por apenas 15€ na FNAC não consegui resistir.
O filme realizado por Jorge Paixão Costa, não é uma simples adaptação do livro mas uma ficção sobre a verdadeira história que inspirou o mesmo, misturando as cenas do folhetim com um enredo em que se acompanha o processo de escrita do mistério e o desenrolar do verdadeiro mistério. O Ivo Canelas interpreta de uma forma fantástica um Eça de Queirós credível, um homem orgulhoso, obstinado e ligeiramente obsessivo compulsivo, a quem o Ramalho de António Pedro Cerdeira consegue conferir algum juízo e propósito, o suficiente para que Eça viesse a escrever, para mim, os melhores romances do realismo que existem, sem cair num fatalismo que eventualmente caracterizaria a geração dos Vencidos da Vida.
A mim a personagem diz-me muito, porque sempre senti alguma familiaridade com a maneira de pensar e ser do Eça e esta interpretação está muito próxima da ideia que sempre tive. Eventualmente algumas pessoas que me conhecem melhor ao verem o filme vão rir-se com a semelhança na fleuma com que também eu reajo à crítica...
É de destacar o excelente trabalho de direcção fotográfica e musical acima do habitual no cinema nacional e os pormenores bem conseguidos de recriação dos ambientes e das roupas novecentistas. É obra filmar na Lisboa de hoje e no ecrã sermos transportados para o século anterior sem qualquer cepticismo.
Só ao nível do design associado ao filme é que fico algo desiludido, não porque seja muito mau, mas porque um filme tão bom merecia um design ao mesmo nível, a começar pelo próprio cartaz e a acabar nos menus do DVD em que a escolha tipográfica é como diria o Eça - Fraquinha, fraquinha... - até um designer imberbe como eu conseguiria esmiuçar melhor, até porque há no filme uma grande qualidade a nível de trabalho caligráfico e as fotos usadas são óptimas.
Mais no site oficial:
http://www.filmesfundo.com/omisteriodaestradadesintra
PS: Se eu conseguísse apanhar um Ramalho para me pôr a fazer uma série de designs que já imaginei para ilustrar alguns livros do Eça... é que na cabeça já está há uns meses, falta a prática que é onde nós falhamos sempre...
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