matar o bicho


A Maudlin Merchandise decidiu fazer um pequeno concurso para produzir amostras de serigrafia em grande formato e apeteceu-me matar o bicho dos concursos.

São apenas pequenas actualizações em trabalhos que já tinham no portfolio mas se gostavam deles e ainda gostavam de me dar a oportunidade de os ver produzidos, basta fazerem um like e partilharem no Facebook o link de algum deles.

Álbum do concurso
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150773904067377.389083.179192597376&type=1

1 de maio


© Rogério Neves

Já muito foi, está a ser e será dito sobre a campanha de desconto de 50% que o Pingo Doce decidiu fazer no Dia do Trabalhador.

A mim nem me espanta muito o caos gerado numa altura em que, mesmo quem não passa pelas dificuldades do desemprego ou de um salário mínimo nacional, está num constante pânico devido à realidade de uma crise, mas mais gravemente a uma estratégia propagandista do actual governo, que tudo faz para culpabilizar os cidadãos pelo estado de coisas e para instigar um clima de medo, de forma a controlar as sublevações e a indignação social.

Nem de propósito Passo Coelho discursa na manhã deste 1º de Maio, avisando os portugueses para que eles se preparem para viver com um desemprego nunca antes visto. Este discurso negativista e desmotivador, visa claramente incutir nos trabalhadores, descontentes com a perca ou a ausência de direitos, um sentimento de resignação motivado pelo receio de perderem o trabalho e remunerações que ainda têm, numa altura em que o mercado de trabalho se encontra numa disfuncionalidade, de que ninguém nascido após os anos 70 do século passado se recorda.

Voltando ao Pingo Doce e sem falar de assuntos que terão de ser analisados pelas autoridades competentes (ASAE e Autoridade para as Condições do Trabalho), esta promoção decidida para o dia em que decorreu, é de um significado simbólico muito grave.

Além todas as pressões e chantagens, que foram denunciadas pelos sindicatos e trabalhadores, para negar o direito ao feriado a quem já tinha decidido que o iria gozer, o Pingo Doce decidiu criar um dia de inferno para os seus trabalhadores, o que para aqueles que não trabalharam de livre iniciativa, se tornou um duplo castigo.

Ou seja, no dia em que esta empresa deveria ter mostrado o respeito pelos seus trabalhadores, recompensando-os simbolicamente pelo esforço que contribui inegavelmente para os bons resultados económicos da mesma, o Pingo Doce decidiu-se pelo desrespeito pelo Dia do Trabalhador e tudo o que ele significa, negando o direito ao feriado comemorativo e, com requintes de maquiavelismo, castigar os seus trabalhadores com um dos piores dias de trabalho que estes têm memória.

Podem dizer-me que há que olhar com realismo (sendo que realismo é em muitas mentes, ter uma visão ideológica de direita) para o contexto em que vivemos, mas não podemos ignorar também todo o contexto simbólico destes eventos e aquilo que esse nos diz da estratégia político/empresarial que alguns alguns querem implementar no nosso país.

um pequeno pensamento

só para partilhar uma resposta pessoal ao assunto debatido nesta partilha de Facebook > https://www.facebook.com/pedromiguelfilipe/posts/194240597346360

"A ideia de que trabalhar que nem um cão a vida inteira é o pathos de um índivíduo rico é de uma ingenuidade e de uma mundividência tão idológica e programática...


A observação da realidade mostra-nos que nenhum rico deve a sua fortuna ao trabalho canino e constante, mas sim a diversos tipos de factores mais e menos honestos, mas que passam sempre pela criação de valor graças à colaboração e trabalho de muitas outras pessoas quer seja em regime realmente colaborativo ou em condições exploratórias.

Uma análise ainda mais aturada de dados concretos em termos de rácio colaboração/repartição de lucros permitir-te-ia perceber que a esmagadora maioria dos "ricos" (os verdadeiramente milionários ou bilionários) o é pois não distribuiu justamente o lucro das suas empresas pelos restantes intervenientes.

E nem vale a pena falar das fortunas construidas com mecanismos ficanceiro/bancários, através do expediente da usura e expoliação de patrimónios privados ou sociais...

Quando muito os ricos devem pagar exactamente a mesma carga fiscal que todos os outros membros da sociedade, se não mais, de forma a regular as acumulações indevidas."

da subjectividade das opiniões


As últimas declarações de Cavaco Silva, sobre a minguez das suas reformas face às suas contribuições, tornaram-se rapidamente mais um foco de polémica e celeuma e apenas demonstram mais uma vez a falta de relevo que a maioria da sociedade e em especial os actuais políticos, dão à questão da subjetividade.

A subjetividade numa concepção mais simples, refere-se à forma como a opinião de cada ser humano é esmagadoramente influenciada pela sua visão pessoal do mundo, formada pelas suas experiências de vida e pelas realidades que absorveu empiricamente. Nesse sentido Cavaco apenas caiu na armadilha da sua própria subjetividade.

Obviamente que à luz da sua história de vida e estatuto/posição social, os valores económicos são manifestamente parcos e parecerão pouco justos. O problema é que quando emitimos opiniões enquanto representantes políticos de toda uma sociedade, com diferentes condições de vida e sensibilidades, devemos evitar as subjetividades da opinião pessoal e deixar uma perspetiva mais analítica e racional, guiar o nosso discurso.

O problema não é, infelizmente, exclusivo do actual Presidente da República e muitos dos membros do actual governo também demonstram no seu discurso, uma vivência alheada da realidade democrática.

E chamo-lhe realidade democrática, porque é mais provável estarmos face uma noção menos subjectiva do real quando temos em conta as experiências de vida de milhões de pessoas comuns, do que uma noção de realidade baseada na mundividência privilegiada de uma elite político/económica.

E é esse um dos maiores problemas da maioria da direita, uma visão egocêntrica e empírica da realidade que não tem em conta a macro-realidade do mundo como ele é...

o facto consumado

Nos últimos dias/semanas/anos temos sido confrontados com uma cada vez mais presente ideia de propaganda económica, o fim do Estado Social. Ainda ontem numa breve passagem pela televisão nacional testemunhei o profissional incontestado do "achismo", Miguel Sousa Tavares, a fazer uma bela analogia em que as lágrimas de uma ministra italiana simbolizavam a morte do Estado Social e algum tempo mais tarde tive o infortúnio de ouvir o Deus nacional das "evidências inalteráveis e supremas", Medina Carreira, a explicar aos coitadinhos dos portugueses que as reformas iam acabar e que quem dissesse o contrário era aldrabão e mentiroso.

Do alto da minha pequenez, gostava de deixar uma lembrança a estes e outros senhores que começam já a festejar um antecipado bacanal liberal, que nunca os romanos imaginaram o colapso do seu império, que a um certo monarca francês nunca lhe passou pela cabeça acabar a vida sem a mesma e que até cá pelas nossas terras, não se esperava que um grupo de militares acabasse num dia, com décadas de fascismo.

Não estou a falar de revoluções iminentes, mas sim, de algo que a história ensina aqueles que se dignam a estudá-la. Nas sociedades humanas não existem caminhos inevitáveis, factos consumados ou becos-sem-saída.

O Estado Social tem a sua hora da morte agendada pelos seus detractores desde a sua criação, mas tal não aconteceu ainda porque quem decide a sua manutenção ou destruição é a sociedade através da expressão democrática da vontade soberana dos seus membros. Duvido que a vontade dos cidadãos europeus seja aniquilar uma das suas maiores conquistas civilizacionais, em troca de uma "selva dos mercados" que representa um regresso às condições sociais do tempo da Revolução Industrial.

Há sempre alternativa e quem diz o contrário, esse sim, é mentiroso.

clube de xadrez


3D e um crachá/logo para o Clube de Xadrez da Book House.

resgate da consciência


Acabadinho de sair pela Dinalivro, O Resgate da Consciência com capa da minha autoria baseada em duas pinturas de Bouguereau, unidas pelo fundo de nuvens pintadas digitalmente, tentando manter a mesma plasticidade de forma a criar uma união entre a faceta sombria e a faceta positiva, ambas exploradas no conteúdo do livro.



o regresso das plataformas



Desde o ínicio dos video-jogos que as plataformas de scroll horizontal são uma das tipologias mais famosas do mundo dos jogos e com alguns dos melhores títulos, tanto que os jogos mascote das consolas dos anos 80/90 eram na SEGA o Sonic The Edgehog e na Nintendo o Super Mario.

Mesmo no mundo dos AMIGA, lembro-me de jogos que ainda hoje não saem da cabeça como o Prince of Persia, Another World e Flashback, os três um exemplo perfeito do melhor do género.

Em tempos de 3D gráfico e 3D estereoscópico poderia parecer que o género ficou no passado, mas com o surgimento das lojas online como a da Playstation Network, os game-developers viram no género uma oportunidade de criar novos jogos, demasiado curtos e simples para o gasto de um Blu-Ray mas que são pérolas de jogabilidade.

Falo muito concretamente de dois jogos que experimentei, adorei e comprei... o primeiro de nome LIMBO, com um visual muito noir, em que a personagem principal é um rapaz em silhueta, vendo-se apenas o abrir e fechar dos olhos. A premissa é simples, acordamos numa floresta e temo de ir percorrendo um mundo escuro e de tons cinza, resolvendo puzzles e lutando contra vários inimigos e outros perigos, isto sem qualquer explicação de quem somos, onde estamos e o que estamos a tentar fazer, o que adiciona uma camada psicológica ao já sombrio grafismo.



Já mais ultimamente tenho gasto algumas horas com Outland, que usa efeitos de brilho com algum uso de silhuetas (a personagem principal é uma silhueta com traços de brilho na roupa).

A história é um pouco diferente fazendo lembrar Another World, somos um guerreiro jovem que tem de seguir as pisadas de um herói do passado para salvar o mundo da destruição. Tem bastantes elementos interessantes como a possibilidade de mudar de tipo de energia (bem=azul VS mal=vermelho) conforme os inimigos e armadilhas, que confere uma dinâmica muito original ao jogo.

São ambos um bom exemplo não de revivalismo ou recuperação dos jogos antigos, mas sim de como se podem reinventar novos jogos usando fórmulas antigas, conseguindo ser original ao mesmo tempo.

a china como exemplo?



Pouca coisa me enoja e já vi muito, mas as imagens desta situação na China são de fazer sentir o coração no estômago.

Uma rapariga pequena é atropelada (é impossível à velocidade que ia não ter visto), a carrinha passa-lhe por cima com a roda, o condutor apercebe-se e para a carrinha para de seguida fingir que nada aconteceu e mais uma vez passar por cima da criança. Entretanto passam várias pessoas que fingem que não vêm o corpo da criança, mas o choque maior é quando percebemos que a criança está viva e a chorar (apesar de ter o corpo todo rebentado), segundos antes de outra carrinha passar novamente por cima e ainda mais pessoas fingirem que nada estão a ver!

Não há palavras para qualificar o completo esvaziamento ético da sociedade chinesa (nem moral mesmo que religiosa), que este vídeo faz questão de brutalmente nos lembrar. Uma sociedade em que o dinheiro é a medida de todas as coisas e onde não há nenhum respeito ou apreço pela vida humana.

Se a China já foi uma sociedade comunista, hoje não o é o extremo oposto, um aviso do que acontece quando deixamos o capitalismo à solta, numa sociedade com um governo totalitário e sem acesso à educação, informação e cultura.

Mais no site da BBC
http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-pacific-15331773