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resgate da consciência


Acabadinho de sair pela Dinalivro, O Resgate da Consciência com capa da minha autoria baseada em duas pinturas de Bouguereau, unidas pelo fundo de nuvens pintadas digitalmente, tentando manter a mesma plasticidade de forma a criar uma união entre a faceta sombria e a faceta positiva, ambas exploradas no conteúdo do livro.



um kindle de estimação





Sou feliz proprietário de um Kindle há um valente número de dias, facto que infelizmente para alguns dos hospedes que aqui passam por casa não lhes passou ao lado (tenho de admitir que para alguns será o equivalente "gadgético" dos slides de viagem).

Andei nos últimos meses a namorar a ideia de ter um entre se um tablet - um Creative Ziio 10, não um iPad, que isso e coisa para outras carteiras - para poder estar confortavelmente no sofá a escrever com companhia. Entretanto numa das minhas incontáveis visitas à Amazon, reparei que o preço do ultimo modelo de Kindle estava agora bem mais acessível que há algum tempo atrás, cerca de 100€ com Wi-Fi...

Ainda pensei que também há uma app Kindle para tablets Android mas há medida que fui lendo - principalmente sobre o facto de não cansar os olhos como um ecrã LCD - e descobri que também tinha um browser incluído acabei por decidir que era mesmo o que queria.

Chatice número 1 foi tentar fazer o check-out na Amazon inglesa e descobri que para clientes portugueses a encomenda teria de ser feita na loja americana, o que significou que acabei por ter de pagar cerca de 140€ com portes e taxa alfandegaria incluídas no preço. Felizmente 3 dias depois tinha em casa a bela da encomenda!

Abri a caixa liguei o dito cujo e percebi logo o porque das varias criticas que elogiavam a legibilidade do ecrã. De facto o ecrã e-ink chega a ser mais legível que uma pagina de um livro e usa um excelente tipo de letra serifado (há opção de uma sans), ao que podemos acrescentar a possibilidade de aumentar facilmente o tamanho de letra e a entrelinha (uso neste momento uma entrelinha que seria pouco viável num livro impresso).

Outra vantagem que o ecrã permite e uma enorme duração da bateria, quase duas semanas depois e com uso intensivo ainda não esgotou metade da capacidade a mesma, sendo que a Amazon promete ate 2 meses de leitura com o Wi-Fi desligado. Isto porque o ecrã apenas utiliza energia para fazer subir e descer pixeis em escala de cinza, ficando os mesmos sempre visíveis ate uma mudança de pagina.

Mas falando do que importa que são os livros, ao contrario do que seria de esperar nem todos os livros são mais baratos que a versão impressa, especialmente aqueles que tem edições paperback, e isso e ainda mais verdade na loja da Mediabooks (Leya) onde os eBooks custam o mesmo que as edições em papel. Desfaz-se assim a argumentação de que os livros são mais caros em Portugal porque o menor mercado permite menos dispersão nos custos da produção no preço final...

Mas ainda se encontram bons livros a um preço muito bom, especialmente pacotes com todos os livros de uma coleção pelo preço de apenas um deles - o primeiro que comprei foi a trilogia Mistborn do Brandon Sanderson - em formato tradicional e mais importante ainda encontram-se online milhares de livros gratuitos. Destaco especialmente o site Project Gutenberg, que reúne livros que caíram no domínio publico, de onde já pude retira Proudhon, Aristóteles, Marx e outros. Para estes e outros o Kindle permite marcar e partilhar nas redes sociais as passagens que queremos discutir com amigos ou para usar em artigos de blogue.

O teclado permite escrever com o mesmo conforto que num telemóvel com teclado qwerty, alias todo este artigo esta a ser escrito no mesmo, apenas vou usar o computador para acrescentar imagem e colocar caracteres portugueses. É esse o maior defeito do Kindle, não suportar nativamente um teclado latino e infelizmente ainda não existe jailbreak para o firmware do meu modelo para "hackar" essa funcionalidade.

Ate estou a usar este brinquedo para escrever um livro que tenho passado os últimos anos a refogar em lume muito baixo, graças a uma app de Notepad que comprei para ter um editor de texto mais avançado.

Concluindo, o Kindle parece-me ser o substituto perfeito do livro em papel, se ultrapassarmos o romantismo do papel e pensarmos que podemos ter milhares de livros sempre a mão sem termos de comprar uma casa só para albergar a nossa biblioteca - já tinha uma parede de 4 metros com um preenchimento alarmante tendo em conta a minha idade e hábitos de leitura - que e mais rápido ler sem o movimento virar a página que o aparelho e mais leve que a grande maioria dos livros,sedo assim fácil ler com uma só mão.

Para quem leia livros apenas em português não há para já especial vantagem económica, mas para quem já lia paperbacks ingleses haverá alguma poupança, especialmente nas colecções e nos livros gratuitos que assim deixam de significar uma dor de olhos e cabeça para lermos num monitor (tenho já os 4 volumes da saga Game of Thrones do George R. Martin em wishlist).

No entanto as editoras não têm de ter medo de desaparecer, pois além de poderem actualizar-se e editarem elas próprias e-books, o Kindle não substitui um bom álbum a cores, livros técnicos e outros que não sejam pura e simplesmente texto corrido e que peçam um maior tamanho. É para esses que fica o espaço restante das minhas prateleiras para os próximos anos, para um bom Taschen, um recomendado Tesouros do Artesanato Português ou um essencial Lisboa - 750 Anos de Capital.

os animais têm direitos?



Foi editado pela Dinalivro, há cerca de 2 meses o livro Os Animais têm Direitos?, uma reunião de textos filosóficos, que junta perspectivas diametrais sobre a questão animal. O livro acaba por resultar numa esgrima de argumentos pois irá sempre desafiar a perspectiva pessoal que temos sobre a questão, permitindo que entendamos algumas atitudes e comportamentos de largas ou menos extensas faixas da sociedade.

Desde a perspectiva cartesiana na qual Descartes coloca os animais na categoria de máquinas desprovidas de consciência e sensibilidade, o que obviamente dá justificação a todo e qualquer uso dos mesmos como simples ferramentas ou produtos, sem olhar à crueldade ou à matança indiscriminada, passando pela perspectiva humanista de Kant, que reconhece deveres dos seres humanos para com os animais e não direitos dos mesmos, da perspectiva utilitarista de Singer, que coloca a questão nos mesmos moldes das lutas pelos direitos civis, juntando ao racismo e sexismo, o especismo (discriminação com base na espécie) e afirmando que todos os animais, humanos e não-humanos têm os mesmos direitos, até à "ética da terra" (resultante do nascimento da consciência ecológica) que coloca o equilibrio dos ecossistemas, como barómetro ético à acção humana.

Esta dialética muda entre o leitor e as perspectivas filosóficas presentes nos excertos, seleccionados e traduzidos por Pedro Galvão, acaba por funcionar como um exercício de racionalização de convicções, permitindo aos defensores dos direitos dos animais uma melhor fundamentação e capacidade de argumentação dos seus ideais.

Podem encontrá-lo aqui
http://www.bookhouse.pt/catalogo/filosofia_0101/animais-tem-direitos-os--perspectivas-e-argumentos_01010452.aspx

alfabetos


A maior parte dos alunos de um curso de design em Portugal, terão mais tarde ou mais cedo no percurso académico, ouvido falar de Paulo Heitlinger, autor dos Cadernos de Tipografia, praticamente uma das únicas publicações nacionais sobre Tipografia e ainda por cima disponível gratuitamente para download e impressão.

Alfabetos, é o segundo livro comercial do autor sobre a temática, numa continuação e aprofundamento de Tipografia: Origens, Formas e Usos das Letras, desta vez abordando também a Caligrafia, na sua história e técnica.

Fazendo uso do pleonasmo típico, o livro começa por aquilo que terá sido um dos princípios, da história da comunicação "codificada", com várias páginas dedicadas às placas de xisto, produzidas durante o período neolítico em território nacional, expondo a teoria da arqueóloga americana Katina Lillios, que ao catalogar milhares destas placas, concluiu que estas muito provavelmente seriam "bilhetes de identidade" para os mortos sepultados nos monumentos funerários megalíticos.

Segue mostrando os vários exemplos dos primeiros alfabetos, debruçando-se sobre a pouco conhecida (mesmo nos meios académicos) Escrita do Sudoeste, utilizada na Península Ibérica ente VII e V a.C. de inspirações fenícias. Explica como os alfabetos romanos influenciaram e continuam a influenciar grandemente a linguagem tipográfica, e constituem uma grande influência na tipografia na altura da invenção e disseminação da imprensa.

Outro ponto alto do livro é o estudo (possível) da tipografia e caligrafia em Portugal e Espanha em várias épocas, como a Cantoneiros ou a Bastarda de Lucas, ou do estudo da sinalética e da tipografia escolar que resultaram na fonte Sinalética e na Letra Escolar.

Seria possível escrever muito mais, mesmo num estilo muito resumido sobre esta quase enciclopédia de 783 páginas, e que ainda assim acaba por não tratar de tudo o que poderia abordar, nem de tudo aquilo que o autor poderia escrever, mas não deixa de ser uma obra que pela ausência de concorrência à altura, no nosso panorama editorial, e por mérito próprio, se torna obrigatória para quem quer ou precisa de saber mais sobre o tema.

Não deixa contundo de ter aspectos negativos e seria errado da minha parte não o frisar. O autor acaba por em várias alturas, acusar um dos maiores problema dos meios académicos portugueses (apesar de ser um autodidacta nesta temática visto que se formou em Física Nuclear), que é a grande confusão entre o juízo de gosto e o juízo de valor, ou em português mais básico entre opinião pessoal e opinião fundamentada (hei de confirmar se já escrevi aqui sobre estes dois tipos de juízo).

Isto torna-se muito patente no capítulo organizado com base na pergunta/resposta, "Para que serve a Helvetica?" ao que o autor responde "para nada". O autor confunde uma opinião baseada no gosto pessoal e num certo empirismo teórico, fundamentada noutras opiniões concordantes, para afirmar que a Helvetica é uma má fonte, pouco legível e sem personalidade e pretende afirmar que quem escolhe esta fonte ou é preguiçoso ou mau profissional...

Isto é um exemplo perfeito de juízo de gosto, porque podemos encontrar opinião inversa em muitos outros teóricos e profissionais da área (esses também baseadas, muitas vezes, no gosto pessoal), até imbuído de um quase adolescente, "ser do contra", por esta ser uma das fontes mais usadas na segunda metade do século XX e ainda actualmente.

É claro que a Helvetica é menos legível que uma Garamond, afinal de contas as serifadas são mais legíveis que as sem-serifa, mas isso significa que é ilegível? A legilibilidade é o cálice sagrado do design e da comunicação visual? Será assim tão inválida a tese da habituação e da familiaridade do leitor com cada estilo de fonte, que o autor refuta?

Penso que é mais coerente escolhermos a fonte conforme a mensagem, o público-alvo da mesma e até o estilo de design que queremos impor ao nosso trabalho, sem preconceitos a priori. Afinal de contas estamos a falar de uma fonte indiscutivelmente bem desenhada (se deixarmos o gosto de lado e nos lembrarmos da premissa do seu desenho) e não de uma qualquer fonte engraçada dentro dos milhares de exemplos de más fontes que polulam os catálogos.

Afinal de contas, eu também sou apaixonado por fontes cursivas em especial dentro do estilo sign painting e não é por isso que as coloco em todos os trabalhos que faço. E muito honestamente como alguém que despertou para o design com os Designer Republic não conseguirei ver na Helvetica, outra coisas que não uma fonte bonita, principalmente se for bem usada (com leadings personalizados e entrelinhas bem escolhidas).

Claro que esta discórdia, quanto ao tom opinativo de um capítulo e algumas passagens não invalida em nada este livro, nem o menoriza de forma alguma e no fim de contas é um privilégio mais que legítimo de um autor. Quem não concordar, que se chegue à frente no trabalho hercúleo de tapar o buraco negro da edição técnica/teórica sobre design e comunicação em Portugal... o Paulo tem feito mais que a sua parte!

Podem encontrá-lo aqui
http://www.bookhouse.pt/catalogo/pintura-artes-graficas_0740/alfabetos-caligrafia-e-tipografia_01010440.aspx

tolstoi



Ilustração do leão Tolstoi que vai ser o autor de Dezembro na Book House :D

É pena não haver quase textos filosóficos em edição portuguesa senão aproveitava para saber um pouco mais sobre a perspectiva anárquica deste senhor.

comer animais


Na passada quinta-feira estive no lançamento do livro Comer Animais de Jonathan Safran Foer, apresentado pelo Heitor Lourenço (não fazia ideia de que este é vegetariano) no restaurante Jardim dos Sentidos (que tenho de visitar um dia destes pois gostei bastante do catering), em representação do Centro Vegetariano.

Como seria de esperar, quem lá apareceu estava na sua maioria ligado à causa vegetariana/animal. Notei a presença da Associação Vegetariana Portuguesa, a Animal e o Partido da Natureza e dos Animais, apesar de no fundo o livro acabar por ser mais direccionado para os não-vegetarianos.

Safran conta num tom pessoal as suas experiências de aderência/desistência do vegetarianismo, investigando as origens dos hábitos alimentares modernos e dos muitos mitos sobre a alimentação, passando pela realidade pouco divulgada da indústria de produção de carne. A ideia do livro não é converter ninguém ao vegetarianismo, mas sim, informar e sensibilizar quem o lê sobre a realidade por trás de algumas escolhas alimentares, de forma a que as possam tomar, com plena consciência daquilo que elas custam eticamente e da sustentabilidade (ou insustentabilidade) das mesmas.

Talvez na boleia deste lançamento, a Visão desta semana trazia um artigo sobre crianças vegetarianas, que apesar de positivo, revela os preconceitos desinformados do costume, acerca de carências alimentares e a repetição do adjectivo do costume, o fundamentalismo.

Sobre as carências, fala-se em Omega 3 e Vitamina B12. A primeira é uma falácia mesmo num regime vegan (completa ausência de produtos animais ou derivados), pois há vários frutos secos (em especial as nozes) altamente ricos no composto, que está ligado à redução do stress e ansiedade (recomenda-se suplementos desta para combater hipertensão, por exemplo).

Quanto à segunda, a questão é um pouco mais complicada, existindo muita desinformação ao redor da mesma. O que importa saber é que na realidade a Vitamina B12 não se ingere, esta é produzida por uma estirpe de bactérias E. Coli, que se alojam no intestino e a segregam como subproduto do seu metabolismo normal. Estas bactérias existem quer em animais, quer em plantas, o problema é que o uso excessivo de pesticidas e químicos na agricultura moderna acaba por eliminar as mesmas. Mais, as mesmas subsistem no organismo décadas após a sua ingestão, sendo que é durante o período de amamentação que a mãe transmite as bactérias ao seu bebé através do leite, dai que para um ovo-lacto vegetariano, exactamente por consumir lacticínios, esta não seja sequer uma preocupação.

Já para alguém com uma dieta vegan, o suplemento é essencial mas necessário muito menos vezes que poderão pensar (neste caso convém mesmo fazer testes de vez em quando para controlar). Eventualmente poderão, como alternativa, consumir Kefir alimentado com água (este é é basicamente uma bactéria/fungo que também produz B12 e tem outros benefícios para a flora intestinal)...

Daí que dizer que se deve comer carne para suprir a B12 seja cair numa falácia, pois a presença de E. Coli na carne industrial que se consome também não é propriamente normal e deve-se à contaminação da mesma durante o desmanche (literalmente os excrementos que caem sobre a peça de carne, quando no abate se fura o intestino sem querer).

Já sobre o fundamentalismo dos vegetarianos, convém lembrar que além do significado religioso, o termo "(..) passou a ser usado por outras ciências para significar uma crença irracional e exagerada, uma posição dogmática, ou até um certo fanatismo em relação a determinadas opiniões (...)". Ora nada está mais longe da atitude e forma de estar da grande maioria dos vegetarianos ou vegans (há excepções claro), que na sua opção questionaram primeiro o dogma do omnivorismo, e posteriormente pesquisaram e pensaram muito sobre tudo o que essa escolha implicava (normalmente quem desiste é por falta de informação ou de sustentação ética na escolha).

Escolher ser vegetariano é tudo menos irracional e fanático, aliás fundamentalistas serão mais rapidamente os pejorantes, que questionam a escolha individual dos outros sem nunca terem sequer questionado os seus próprios hábitos alimentares e sem qualquer argumentação lógica para censurarem a dieta alheia.

Prova disso é que quase ninguém com uma dieta dita normal, se queixa que ao almoçar com um vegetariano lhe são feitas mil perguntas, mil "avisos" ou até comentários desdenhosos, mesmo havendo razões cientificamente comprovadas para questionar o consumo excessivo de carne (cancros, colesterol, etc...) e argumentos éticos relacionados com o sofrimento e morte de seres sentientes... mas é quase impossível que um vegetariano almoce com um não vegetariano (pior ainda, com um grupo!) sem que isso aconteça...

Quem são afinal os fundamentalistas?

Podem encontrar o livro no link abaixo... garanto-vos que é bem mais interessante que a minha retórica sobre o assunto ;)
http://www.bookhouse.pt/catalogo/literatura-autores-estrangeiros_0880/comer-animais_9789722522373.aspx

era uma vez uma velhinha


Tive o privilégio de apreciar este pequeno livro editado em Portugal pela Dinalivro, baseado numa lengalenga inglesa e que ganhou o prémio de Obra-Prima na Feira de Bolonha de 2010, para o fotografar para um folheto e cartaz da Book House.

Se o quiserem comprar aproveitem que está com um desconto de natal ;)

Podem encontrá-lo aqui
http://www.bookhouse.pt/catalogo/juventude_0850/era-uma-vez-uma-velhinha_01010441.aspx

Até dá pena não ficar com ele :P

história das ideias políticas


Tal como para a igreja católica medieval existia um index de livros proibidos, hoje em dia devia existir um index de livros obrigatórios ou quase para qualquer pessoa que queira ser mais do que um individuo numa massa de consumistas, com opiniões baseadas apenas num senso-comum, estilo cliché humano.

A História das Ideias Políticas Volume I de Diogo Freitas do Amaral tem na sua génese ser uma sebenta em forma de livro para cadeira de Ciências Políticas do curso de Direito da Universidade Católica. Mas em vez de ser algo que interessaria apenas aos estudantes desta cadeira, acaba por ser um bom resumo para fins de cultura geral, das ideias políticas dos principais pensadores e filósofos da história ocidental.

Não substitui a leitura das obras dos autores em si mas é um bom começo para o entendimento das várias concepções de sociedade e governo já pensadas (e um bom fim no caso de ideologias execráveis como as de Xenofonte, Jaime I e Hobbes).

Desde as ideias comunistas e anarquistas de Platão, à catalogação das formas de governo sãs e degeneradas de Aristóteles (Monarquia/Tirania, Aristocracia/Oligarquia e República/Democracia), às ideias politicas de Maquiavel tão presentes no léxico da direita (recordo que políticos como Paulo Rangel afirmam-no como autor favorito) e à Utopia de Thomas More (finalmente entendi a génese da palavra, que me deixou claro que usa-la para adjectivar ideias impossíveis é ignorância).

Infelizmente o primeiro volume termina com Hobbes, sendo que o segundo volume ainda está em preparação (o primeiro levou 15 anos a escrever...), mas não deixará de frisar o Contrato Social de Rousseau, as histórias da carochinha de Adam Smith e companhia limitada, as teorias anarco-socialistas de Proudhon, o comunismo de Marx e provavelmente alguns autores mais recentes (provavelmente a parte que me interessa mais pois é aqui que se concentra ou a minha ignorância de novas ideias de relevo ou a sua inexistência, mas presumo que pelo menos de Keynes se falará...).

Resumindo é uma boa leitura para quem não se satisfaz intelectualmente com perigosos lugares comuns como "não ligo à política" ou "são todos iguais"... perigosos porque como Burke dizia "para que o mal triunfe basta que os homens de bem nada façam".

Podem comprá-lo em
http://www.bookhouse.pt/catalogo/direito_0326/historia-das-ideias-politicas-vol-1_9724010767.aspx

cell


Se existem autores que parecem ter uma formula mágica infalível e inesgotável em todos os seus livros, Stephen King é um dos exemplos máximos desses felizardos. Podemos gostar ou não do estilo terror/fantástico, o que me parece muito difícil argumentar em relação a este, é a ideia de ser um escritor light como muito pseudo-intelectualismo tenta colar ao Paulo Coelho.

Se bem que existem muitos mais escritores, ainda vivos, dentro deste género que têm excelentes obras, como é o caso da Naomi Novik (Temeraire), do Christopher Paolini (Eragon), Isobelle Carmody (Elspeth), nenhum se pode gabar de lançar 2 e 3 best-sellers por ano (a maioria publica um volume a cada 2 ou 3 anos).

Tudo isto para dizer que abrir um livro "novo" de King não é um acto acompanhado da dúvida do costume... será que este vai ser um bom livro como os outros?

Sem entrar em pormenores que estraguem a história para quem ainda vai ler, Cell é quase, quase, uma história de zombies, só que na realidade o cataclismo não é de mortos-vivos per se, mas sim um "vírus" propagado pelos telemóveis que transforma pessoas normais em assassinos tresloucados. Mas essa é só a primeira parte da transformação...

Pessoalmente uma excelente história, com alguns elementos próximos do The Stand mas sem entrar em conjecturas metafísico/espirituais, em favor de uma visão mais cientificamente consubstanciada. Só por acaso (ou não) explorando uma ideia esboçada no curtinho Brain do Robin Cook.

7,5€ no sitio do costume:
http://www.bookdepository.co.uk/book/9780340921531/Cell

the lost symbol



Para a maioria do pessoal que me tem vindo a conhecer nos últimos anos, é óbvio através dos meus gostos que sou anti-pseudo-intelectualismos e no caso do Dan Brown não abro excepções. Digo isto porque para a maioria dos grandes "intelectuais" portugueses afirmar que um autor de "livros que vendem que nem pães quentes", como o Código Da Vinci, Deception Point e Digital Fortress, é um bom escritor é um sacrilégio digno de excomunhão da nobre seita...

Quem provavelmente é intelectual o suficiente para ler primeiro e opinar depois, sabe bem que estes livros são obras de entretenimento excelentes e até têm um bocadinho de apelo à dialéctica e dissecação das teses neles presentes. Este Lost Symbol não é uma excepção, sendo que depois de passagens pela mitologia cristã, pelas conspirações governamentais e criptologia digital, desta vez o fundo do enredo centra-se na maçonaria americana. Sem querer revelar muito (até porque ainda estou em leitura) temos um regresso de uma personagem perturbada/maquiavélica ao estilo de Silas (Código Da Vinci) e uma mão decepada com símbolos maçónicos tatuados, a iniciar o suspense.

Claro que, em Portugal só no final de Outubro será editado com um preço estimado de 24€ mas como sou adepto de ler os romances na língua original, aconselho a comprarem antes o original em hardback por 14€ no Book Depository.

history of advertising



Este é o livro-troféu que trouxe da Feira do Livro ontem, estava numa das primeiras barraquinhas que pertencia aos distribuidores da Taschen em Portugal e como estava como livro doa dia foi 3€ mais barato que no Book Depository, o que representou uma estreia! LOL

Pelo tamanho da lombada na imagem podem começar a imaginar um belo calhamaço de capa extra-grossa, que narra a história do aparecimento da publicidade até aos nossos dias, com bastante relevo para o papel que as agências como a Leo Burnett, Ogilvy e outras tiveram e têm nesta narrativa em progresso.

Ainda só li na diagonal mas pareceu-me bastante completo... provavelmente a cultura geral sobre publicidade que me faltava para não ter vergonha de falar com um director criativo de uma agência :P

Para acompanhar esta pérola recomendo o Foi Você que pediu uma história da publicidade? da Tinta-da-China que se debruça sobre a realidade portuguesa.

Podem ver algumas páginas do interior em:
http://www.taschen.com/pages/en/catalogue/design/all/05040/facts.a_history_of_advertising.htm

mais ava



Juntei à minha colecção mais 2 volumes Basic Design da AVA e um pequeno manual sobre copywritting da mesma editora, para aprender mais umas coisinhas sobre escrita para publicidade e marketing.

Print & Finish é um livro sobre tipos de impressão e papel, com as diferentes opções mais do que exemplificadas em imagens, mas sim, como parte do próprio livro. Format trata dos vários tipos de suporte do design gráfico, passando pelos tamanhos de papel, tipos de dobragem, tipos de encadernação e suportes não estandardizados, como plásticos ou madeira.

Recomendo a colecção para quem queira aprofundar sobre temas técnicos de design mais específicos. Como de costume lembro o belo do Book Depository, que agora até mudou de design e permite mudar os preços para euros.

the production manual



Chegou hoje, depois de algumas peripécias que envolveram créditos e débitos bancários, um livro que há já alguns meses esperava poder ter nas mãos e ainda mal sabia tudo o que me esperava.

The Production Manual - A Graphic Design Handbook é o irmão mais velho do "nosso" Manual de Produção Gráfica, separado à nascença e tendo crescido numa família bem mais abastada. Basicamente é uma bíblia do design, que contém toda a informação base que um designer deveria te vergonha de não saber, se não de cor, pelo menos em esboço mental.

E quando digo tudo, digo desde as bases do trabalho gráfico como tipos de ficheiro, resoluções, formatos informáticos, teoria das cores, as diferenças entre CMYK e RGB, cor directa e quadricromia, layout e grelhas, tipografia e tratamento tipográfico, tipos de impressão, processos de acabamento e encadernação...






Menos não seria de esperar da ava, uma editora especializada em áreas criativas como o design, ilustração e publicidade, da qual já possuía os volumes Tipography e Layout, que à luz deste manual me parece serem os complementos perfeitos, para aprofundar cada um dos temas.

Quanto mais não fosse, ver todo um livro paginado com uma das minhas "sausage types" (como o pessoal mais quadrado as deprecia) favoritas... é um festim de VAG Rounded BT e LT para os olhos! LOL

Mais sobre o livro em:
http://www.avabooks.ch/index.php/ava/bookdetails/978-2-940373-63-5

PS: Já sabem que no Book Depository é mais barato...

um certo livro de design



A pedido de várias famílias (pronto, de 2 ou 3 pessoas), aviso a recepção do livro Design de Identidade e Imagem Corporativa, mais de um mês depois de o ter pedido (como diz o povo, mais vale tarde que nunca) e passo a dar a minha modesta opinião preliminar (ainda não o pude ler com a profundidade que merece).

Antes de mais e mal vi o pacote, frustrei logo a minha impressão pré-concebida do livro, mas no sentido que pensava tratar-se de um formato próximo do A5 e afinal sai-me um livro bem grandinho, que me recordou logo dos manuais escolares. Quando o abri a paginação também confirmou essa imagem, mas não pensem que estou a frisar isto pela negativa!

Não, este livro é de facto um verdadeiro manual de branding e imagem gráfica, com informação de nível académico/científico bastante útil (senão mesmo obrigatória) a qualquer designer. Começa por definir-se claramente o que é uma marca e uma identidade gráfica, com direito a uma história da imagem gráfica com atenção ao caso português e não a uma história genérica universal e acaba-se com uma análise aprofundada de temas relacionadas com a criação e gestão de marcas.

E graças ao formato avantajado, a grande variedade de imagens, ilustrações e gráficos, também adquire uma dimensão na qual as podemos apreciar sem esforço na vista.

Conclusão, correspondeu e até superou as expectativas que tinha em relação ao mesmo. Parabéns ao Daniel Raposo e espero que os próximos projectos sejam ainda melhores.

Mais informações sobre o livro:
http://emoglobina.blogspot.com/2008/12/design-de-identidade-e-imagem-grfica.html

bookworms



Já acompanhava o Bookworms há algumas semanas no Twitter mas por alguma razão estranha pensava que era apenas um blogue dedicado à literatura... erro meu, porque afinal é uma rede social de apreciadores de leitura!

A mecânica é simples, registas-te e a partir dai podes criar a tua própria colecção de livros que tenhas em casa, ou a tua wishlist, tudo através de busca no Wook ou nas Amazon, ficando a tua colecção enfeitada de imagens de capas e links de compra para qualquer um poder facilmente adquirir a mesma edição.

Para mim é uma ideia muito útil, sendo que já tenho quase a minha colecção completa no site (faltam alguns livros que já estão encaixotados para a mudança de casa). A wishlist é que não uso tanto porque já tenho a lista no Book Depository (que sugeri que incluíssem, claro). Agora falta esperar por um widget engraçado para pôr no blogue :D

Podem cuscar a minha literatura aqui:
http://bookworms.sapo.pt/mycollection/menosketiago

PS: Bookworms = traças dos livros

fábrico próprio



Fábrico Próprio é o resultado do projecto de investigação sobre o design da pastelaria portuguesa, desenvolvido pelos Pedrita, uma dupla de designers industriais que tem dado que falar no meio.

O livro além de apresentar uma vasta lista dos vários tipos de bolo que se produzem em Portugal - sempre com uma fotografia típica do design de produto - aborda também a "diáspora" da pastelaria nacional e ainda se debruça por alguns dos estabelecimentos de pastelaria mais antigos ou mais conceituados em várias zonas do país.

Podem aproveitar os "saldos" na loja online do projecto e comprar o livro a 25€ sem portes de envio para todo o país. Duram até 28 de Fevereiro, data na qual vão deixar de o vender para me homenagear o dia de nascimento! LOL (isto não é verdade, hein!)

Mais uma das prendas de natal que o meu amor me deu :D

Mais informações em:
http://www.fabricoproprio.net

margens de lucro



Já estava quase para não escrever nada por hoje (muito trabalho para candidatar a Ophiusa ao prémio Indústrias Criativas) mas estava a planear o meu orçamento pessoal para os próximos meses e dei de caras com uma situação tão gritante, que tinha mesmo de partilhar...

Por muitas vezes me ouviram falar do Book Depository e das diferenças entre os preços desta e os preços praticados nas livrarias "portuguesas" de importação como a FNAC. Ora tendo visto no estabelecimento do Chiado da livraria mais francesa de Portugal o livro Design it Yourself da Ellen Lupton, pensei com os meus botões - Ah bom livro, vou procurar no depository que deve ser mais barato - nunca imaginei é que os 17, 49€ passassem a £7.47 (tendo em conta que a libra desvalorizou ultimamente para 1.02€ nem é preciso fazer contas do câmbio), ou seja uma diferença de 10€!

Volto a recordar que não se paga portes de envio, ao contrário do que acontece por exemplo na FNAC online (aí ainda saia mais caro) o que significa um diferença de cerca de 230%, ou seja, se a margem de lucro já está nos 7€ do depository, temos a loja nacional a sacar um lucro da ordem dos 250%!? Grande negócio!

Dimensões de mercado e especificidades à parte é impossível ter livros a preço justo em Portugal quando o intermediário coloca margens de lucro desta ordem. E o resto é conversa fiada!

Deixo-vos os links para comprovarem:
http://www.fnac.pt
http://www.bookdepository.co.uk

foi você que pediu...



Uma das prendas que a minha cara-metade me ofereceu pelo natal, uma história concisa e extremamente visual da publicidade portuguesa durante o século XX. Capa extra rija e texturada a fazer lembrar as edições de luxo dos anos 50 e no interior uma boa amostra, dividida entre os vários temas que ainda hoje, constituem os estereótipos base, largamente usados pelos publicitários menos criativos.

Os nomes sonantes mas que não fazem nenhum sentido, as noções de luxo pré-fabricadas e a mulher enquanto dona-de-casa/consumidora ou objecto de desejo que se tenta associar ao produto. Além de ser bom para nos rirmos é uma boa amostra do que não fazer se queremos fazer boa publicidade, com conteúdo e criatividade!

http://www.tintadachina.pt

PS: Felizmente que tenho a minha Si porque senão natal para mim era uma infelicidade total.

design de identidade e imagem corporativa







Quem já tem algum tempo de experiência a aturar-me, provavelmente já leu/ouviu queixas acerca da nula actividade editorial sobre design em Portugal, da qual o único exemplo que me ocorre normalmente é o batidíssimo Manual de Produção Gráfica.

Por isso mesmo quando li na newsletter do CPD acerca de um livro de nome Design de Identidade e Imagem Corporativa, o meu interesse não foi saber que ele está disponível para consulta na biblioteca, fruto da oferta do autor (cerne da notícia), mas sim, quem editou, quando, quanto custa e onde se compra!

Com interesse em divulgar o livro na Ophiusa, contactei o Daniel Raposo directamente e fico espantado não só por ter resposta 5 minutos depois, mas também devido aquilo que fiquei a saber. É uma edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco, mais concretamente da ESART e mais, custa apenas 10€ (!) mais portes, visto que é vendido à cobrança.

Já encomendei a minha cópia e aconselho-vos a fazerem o mesmo para esart[at]esart.ipcb.pt, com o vosso nome, morada, nome do livro e número de cópias. No final ficará a cerca de 13€ o que é provavelmente o mais justo preço por um livro editado em Portugal, que já encontrei. Sobre a qualidade do mesmo só lendo mas pela imagem do interior parece-me mais do que prometedor.

Agora a melhor notícia é que o mesmo Daniel Raposo em conjunto com o seu colega Joan Costa, estão a trabalhar num projecto editorial sobre Design de Comunicação, a cargo da editora Dinalivro, que irá ter frutos em 2009. Por isso é da nossa responsabilidade assegurar que este projecto tem pernas para andar, para ver se o mercado editorial do design acorda do marasmo dos últimos anos.

traditional arts in portugal



Ontem aproveitei que estava na Gulbenkian para o Palavra de Trapos (aproveito para dizer que foi bem interessante, embora tenham havido muitos intervenientes a lerem guiões em vez de orar, excepção para alguns como o José Letria, a Alice Vieira e o Bernardo Carvalho) e dei uma olhadela na Festa do Livro deste ano.

E lá descobri uma "pequena" relíquia, de nome Artes Tradicionais Portuguesas, referente a uma exposição da Gulbenkian em Jacarta, que com preço de capa de 30€ acaba por custar apenas 15€ durante a feira. Neste momento já só há em inglês e indonésio (os 2 juntos), mas o que mais me cativou foi a dimensão das fotografias e a sua qualidade. Um óptimo achado para um designer e ilustrador poder estudar os vários trajes nacionais, a ourivesaria de Viana, os tapetes de arraiolos, os bordados, as rendas... haverá outros livros melhores (sem serem "catálogos") mas a este preço?

Depois como soube que podia ir buscar o meu pagamento à Impresa quando quisesse, aproveitei para comprar a História do Anarquismo na papelaria da estação de Entrecampos. Por isso foi chegar a casa e acabar de reler a Tragédia da Rua das Flores para começar a ler o que o senhor Proposiet tem a contar sobre o anarquia...

Pena só a Si estar a pensar dar-me o referido no natal mas já dei outras alternativas. :P

Mais sobre o Traditional Arts in Portugal:
http://www.biblartepac.gulbenkian.pt

PS: Agora só falta arranjar um bom livro sobre o Sebastião Rodrigues para saciar as minhas necessidades de enriquecimento cultural prementes.